O projeto RISC_PLUS progride de forma mais do que satisfatória, pelo menos do lado espanhol. Ontem teve lugar, em Ourense, a 19.ª reunião dos parceiros da iniciativa da Eurorregião para gerir a água e prevenir inundações ou secas nas bacias internacionais do Minho e do Lima, na qual foram revistos os progressos alcançados e definidos os próximos passos a seguir para melhorar a resiliência. O dado mais relevante foi o avanço na execução dos novos pontos de controlo da rede do Sistema Automático de Informação Hidrológica (SAIH) e do Sistema Automático de Qualidade das Águas (SAICA).
Nove das dez instalações previstas pela Confederação Hidrográfica do Minho-Sil já estão em funcionamento. Desta forma, está praticamente completo o conjunto de pontos de controlo, iniciado com as instalações em Friol (Lugo), Quiroga (Lugo) e O Rosal (Pontevedra), às quais se seguiram as inauguradas em julho em Toreno (Leão) e Lobios (Ourense). Por outro lado, foram apresentados os progressos na análise e previsão dos fenómenos associados a secas e inundações, bem como no desenvolvimento de uma abordagem metodológica para avaliar o seu impacto socioeconómico na Eurorregião Galiza – Norte de Portugal.
No entanto, vários trâmites administrativos estão a alongar alguns dos prazos previstos, já que, embora inicialmente estivesse planeado concluir o projeto este ano, durante o encontro foram abordadas questões de gestão pelas quais se acordou fixar uma nova data de conclusão: 31 de dezembro de 2026, com o objetivo de garantir o cumprimento de todos os marcos programados. A Confederação Hidrográfica do Minho-Sil aponta que este atraso se deve às autorizações europeias, que, como é habitual neste tipo de projeto, não foram concedidas em tempo útil para alguns procedimentos.
Do lado português, vive-se ainda um episódio de burocracia própria. Ao contrário da aceleração observada em Espanha na instalação dos sistemas SAIH e SAICA, as sete estações em execução em Portugal deverão estar concluídas até ao final de 2025, ou seja, ainda não há nenhuma em pleno funcionamento. Fontes próximas do projeto apontam diferenças burocráticas entre ambos os países como motivo, mas referem que nas zonas onde serão instalados os pontos de controlo já existe sinalização colocada.
A equipa do RISC_PLUS garante que o alargamento dos prazos não irá, em nenhum caso, reduzir o impacto real do projeto na preservação, preparação e digitalização da informação hidrometeorológica das bacias fronteiriças. Acrescentam ainda que o projeto RISC_LM, do qual o atual deriva, alcançou 100% de execução perante a União Europeia, quando este tipo de projetos costuma ficar entre 80% e 90%.