- A reserva hídrica encerra o ano hidrológico 2024-2025 com 67,16% da sua capacidade, 12,45% acima da média histórica.
- O projeto europeu RISC_PLUS reforça a resiliência das bacias transfronteiriças face às alterações climáticas através de ciência, inovação e cooperação entre Espanha e Portugal.
Ourense, 15 de outubro de 2025.– A Confederação Hidrográfica do Minho-Sil (CHMS), parceiro principal do projeto europeu RISC_PLUS, apresentou o balanço do ano hidrológico 2024-2025. O encerramento do período reflete que as albufeiras das bacias do Minho e Lima se situam em 67,16% da sua capacidade, o que representa 12,45% acima da média histórica e constitui o valor mais elevado desde que existem registos (1999/00 – 2023/24) para esta época do ano.
Apesar de a precipitação anual média se ter situado em 1.036,4 l/m², 9,5% abaixo da média histórica, a reserva de água armazenada alcançou máximos graças a uma menor taxa de descida registada desde o mês de junho, provavelmente relacionada com uma menor procura de uso hidroelétrico.
Quanto aos caudais circulantes nos rios da demarcação, mantêm-se próximos da média histórica, apenas 1,6% abaixo da média. Os níveis piezométricos das águas subterrâneas também apresentam valores semelhantes à média, encerrando 2,5% abaixo.
Contexto climático e resiliência
Projetos como o RISC_PLUS ganham especial relevância em contextos como o atual, com défice de precipitação em meses que costumavam ser húmidos; neste sentido, trabalha-se por uma maior resiliência das bacias internacionais do Minho e Lima face a fenómenos extremos como secas e inundações.
Este projeto, cofinanciado pelo programa europeu Interreg Espanha–Portugal (POCTEP) 2021–2027, aposta em soluções baseadas no conhecimento científico, na cooperação transfronteiriça e na inovação tecnológica, para garantir uma gestão eficiente e sustentável da água num cenário marcado pelas alterações climáticas.
Distribuição da precipitação
Durante este ano hidrológico, podem qualificar-se os meses de janeiro e abril como muito húmidos; outubro como húmido; março e maio como normais; novembro, fevereiro e setembro como secos; e dezembro, junho, julho e agosto como muito secos. No ano predominam claramente os meses de caráter seco, destacando-se o período estival, de junho a setembro, no qual se encadearam quatro meses secos, três com categoria “muito seco” (de junho a agosto) e um “seco” (setembro).
Esta distribuição favoreceu que os eventos de cheia fossem de baixa intensidade e sem danos materiais assinaláveis, destacando-se três episódios principais: de 19 a 21 de outubro, de 26 a 31 de janeiro e de 19 a 21 de abril.